Uso de algemas em políticosComo é de conhecimento geral, o uso de algemas somente foi “regulamentado” no Brasil em virtude da prisão de um “cidadão” extremamente rico, porém, cuja riqueza, ao que tudo indica (serão fofocas?), não foi adquirida da forma mais, digamos, lícita.

Trata-se de situação na qual, inclusive, o trabalho árduo de uma grande equipe de servidores públicos policiais federais foi depreciado e, ao final, anulado. Delegado de Polícia Federal também foi penalizado em virtude de ter cumprido o seu mister de prender vagabundo cidadão que cometeu supostamente teria cometido diversos crimes.

Delegados se manifestam sobre uso de algemas em ricos e políticos.

Para demonstrar a insatisfação das instituições e de seus componentes, trago abaixo um “manifesto”, na forma de Nota de Esclarecimento, redigido pela Associação dos Delegados de Polícia Federal nesta data, 12 de agosto de 2011, e pode ser, também, visualizado diretamente em sua fonte, o site da APDF.

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“A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal vem a público esclarecer que, após ser preso, qualquer criminoso tem como primeira providência tentar desqualificar o trabalho policial. Quando ele não pode fazê-lo pessoalmente, seus amigos ou padrinhos assumem a tarefa em seu lugar.

A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas.

Milhões de reais – dinheiro pertencente ao povo- são desviados diariamente por aproveitadores travestidos de autoridades. E quando esses indivíduos são presos, por ordem judicial, os padrinhos vêm a publico e se dizem “ estarrecidos com a violência da operação da Polícia Federal”. Isto é apenas o início de uma estratégia usada por essas pessoas com o objetivo de desqualificar a correta atuação da polícia. Quando se prende um político ou alguém por ele protegido, é como mexer num vespeiro.

A providência logo adotada visa desviar o foco das investigações e investir contra o trabalho policial. Em tempos recentes, esse método deu tão certo que todo um trabalho investigatório foi anulado. Agora, a tática volta ao cenário.

Há de chegar o dia em que a história será contada em seus precisos tempos.

De repente, o uso de algemas em criminosos passa a ser um delito muito maior que o desvio de milhões de reais dos cofres públicos.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal colocará todo o seu empenho para esclarecer o povo brasileiro o que realmente se pretende com tais acusações ao trabalho policial e o que está por trás de toda essa tentativa de desqualificação da atuação da Polícia Federal.

A decisão sobre se um preso deve ser conduzido algemado ou não é tomada pelo policial que o prende e não por quem desfruta do conforto e das mordomias dos gabinetes climatizados de Brasília.

É uma pena que aqueles que se dizem “estarrecidos” com a “violência pelo uso de algemas” não tenham o mesmo sentimento diante dos escândalos que acontecem diariamente no país, que fazem evaporar bilhões de reais dos cofres da nação, deixando milhares de pessoas na miséria, inclusive condenando-as a morte.

No Ministério dos Transportes, toda a cúpula foi afastada. Logo em seguida, estourou o escândalo na Conab e no próprio Ministério da Agricultura. Em decorrência das investigações no Ministério do Turismo, a Justiça Federal determinou a prisão de 38 pessoas de uma só tacada.

Mas a preocupação oficial é com o uso de algemas. Em todos os países do mundo, a doutrina policial ensina que todo preso deve ser conduzido algemado, porque a algema é um instrumento de proteção ao preso e ao policial que o prende.

Quanto às provas da culpabilidade dos envolvidos, cabe esclarecer que serão apresentadas no momento oportuno  ao Juiz encarregado do feito, e somente a ele e a mais ninguém. Não cabe à Polícia exibir provas pela imprensa.

A ADPF aproveita para reproduzir o que disse o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos: “a Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos”.

Brasília, 12 de agosto de 2011

Bolivar Steinmetz
Vice-presidente, no exercício da presidência”

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Com a publicação da presente Nota de Esclarecimento, deixo aqui exposto meu apoio a toda e qualquer ação que venha a dignificar e esclarecer à população os pormenores do trabalho policial pautado na legalidade e razoabilidade. O uso de algemas não deve ser regulado em virtude de seu uso em pessoas ricas e “poderosas” de nosso país, mas o que deve ser levado em conta é a dificuldade dos trabalhos realizados pela Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal em nosso país!

Uso de algemas em ricos e políticos
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